É só aparência

December 25, 2006

Estou farta disto. E não sou a única.

Da morte

November 26, 2006

Já sei que no fim me vou sentir deprimida e que virão à tona da memória momentos do passado pouco agradáveis, mas há textos que me levam a reflectir no que de mais certo nos espera quando respiramos pela primeira vez cá fora.

A morte bateu-me à porta quando tinha 13 anos. Até lá, as mortes dos meus avôs paterno e materno não foram conscientemente vividas. Não me lembro de ter sofrido, como supostamente todos nós devemos sofrer quando morre um familiar. A morte bateu-me à porta quando a mãe da minha melhor amiga, a São, faleceu, tinha esta também 13 anos. Não se vive a morte dos outros, mas sofre-se profundamente com os amigos, como foi o caso.

A morte voltou a bater-me à porta há três anos e meio, com o desaparecimento da minha própria mãe. Chorei, berrei, amaldiçoei um suposto Criador omnisciente e omnipresente e inantingível e invisível e cruel, senti um vazio como nunca antes tinha sentido. E nunca mais os natais foram os mesmos. Por muito que finja, o nó na garganta teima em não me deixar.

Desde essa altura que a morte tem, com demasiada frequência, invadido a minha mente: a minha própria morte, a dos que estão mais próximos de mim, a daqueles que mais amo. Tenho medo da morte, tenho medo de saber que vou morrer, tenho medo de mortes estúpidas como a da mãe da minha amiga, tenho medo de mortes lentas como a da minha mãe. Não gosto de ter consciência de que com a minha morte, não verei outros crescer e viver plenamente.

Tenho para mim que a morte física é o fim de tudo: coloca-se um corpo numa caixa de madeira que acaba debaixo da terra. Ou crema-se. E acabou. Não há mais nada. Haver há, mas só para quem fica: as lamúrias, as saudades, as boas recordações, as imagens que criámos da pessoa defunta.

Da minha mãe, também recordo um corpo decrépito que em nada correspondia à sua idade e à sua força gigantesca de viver, uma mente que, antes de atingir a fase terminal, funcionava a 200 à hora, uma pessoa frenética, lutadora, quase sempre incansável, com objectivos que raríssimas vezes não alcançou. A sua própria mãe conseguiu vencer uma batalha contra a morte, a minha mãe não conseguiu vencer a dela.

Se há algo para lá da morte, só o vou saber uma vez. Mas até lá, há que aproveitar bem e dizer muitas vezes a quem mais se estima as palavras que nunca disse à minha mãe!

Monólogo nocturno

November 23, 2006

“Mas que grande besta!”

Uma grande besta me saiste tu, que não sabes quem tens! Porque é que tens que proferir tais palavras tão frequentemente? Depois não te admires que sejam repetidas! E para que te irritas com ele? Tu é que ouviste mal! A culpa é toda tua! E depois vingas-te nele! Como se soubesse o que acabou de dizer! E imediatamente arrependes-te, porque sabes que foste injusta! Sua besta! Claro que a seguir há troca de mimos e palavras doces, mas o mal está feito. Pensa duas vezes antes de abrir a boca, besta!

Limpezas

October 22, 2006

Dispensar alguém que trabalhou para a família durante 16 anos deixou-me um certo amargo de boca. Contudo, fiquei bastante mais aliviada por saber que não teria que suportar mais a presença de alguém lá em casa que fazia mal o pouco que ainda ia fazendo!

Isto pega-se

October 12, 2006

Começo a ver em mim as qualidades e características que a minha mãe possuía e que me incomodavam tanto quando eu era adolescente. Azar do caraças!

Incompreensíveis

October 1, 2006

Há dias em que não me apetece nadinha ter nascido. Outros há em que me apetece ter nascido em épocas diferentes, até no futuro. Mas que tolice!

“E se…”, imagino eu.

September 22, 2006

Ando com tanta vontade de ficar barriguda novamente que dou por mim a pasmar indefinidamente para as outras gordinhas, a ponto de estas me retribuirem um olhar estranho e me fazerem pensar que elas devem estar a pensar que eu sou louca!

Laços de família

September 2, 2006

Sendo filha única, nunca pensei que algum dia diria isto: vou ser tia!

Contudo, teria preferido dizer: “vou ser mãe outra vez”. Isto sim, seria motivo de grandes festejos!

Lamechices

July 18, 2006

A maternidade e a puta da idade põem-me a chorar por tudo e por nada. Arre que irrita! Livros, filmes, reportagens, notícias…lá vêm as malditas lágrimas. Razão tinha a minha mãe quando dizia que eu as tinha no rés-do-chão.

A cebola tem o mesmo efeito.

Curtas

July 8, 2006

O quarto soube a pouco, depois de hora e meia, Contudo, a outra hora e meia em Ofir chegou e bem para aquecer. A varanda foi o lugar eleito, um dos melhores, sem dúvida!