Queixas, queixinhas e queixumes
January 15, 2007
Há algo na minha actividade profissional de que não gosto particularmente. Aliás, depois da lesgislação que sou obrigada a ler para me manter actualizada no que diz respeito a um certo cargo inerente à profissão, o de Director de Turma, ter que lidar e socializar com os meus congéneres é o que mais me mexe com os nervos. Há gente que passa os intervalos a queixar-se disto, daquilo e daqueloutro, pessoas que parece nunca estarem satisfeitas com nada – ou com os catraios, ou com o Ministério, ou com a empregada lá de casa, ou com o mecânico que entregou o carro no dia seguinte…ou seja, passam muito do seu tempo a fazer precisamente aquilo que estou a fazer agora: a queixarem-se. E isto irrita-me profundamente: deve dar-lhes imenso prazer dizer em voz alto que a sua vida é (ou parece ser) mais miserável que a dos outros, fazem questão de orgulhosamente se mostrarem pessimistas. Porra! Para pessimista cá ando eu e a mim raramente me ouvem queixar NA escola. Este é um mal que, parece-me, agrava-se com a idade: aos mais velhos dói-lhes as cruzes, a coluna, a hérnia, agravam-se as dores de cabeça provocadas pelo barulho dos catraios. Se isto é o prato do dia, ou quase, quem é que no seu perfeito juízo tem paciência para aturar colegas em jantares, almoços e afins? Definitely not me! O que só comprova que sou mesmo anti-social.
Eu é que sei do que falo
January 6, 2007
É tudo muito giro e tal, dão-se todos muito bem, sabe tudo muito bem, mas o problema é o resto. E em Fevereiro há mais, muito mais, pelo menos mais duas! E desta vez, com máscaras.
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October 11, 2006
Porquê ontem?
Amizade
September 12, 2006
A São é a minha grande amiga de infância. Temos a mesma idade, conhecemo-nos desde tenra idade, as nossas mães conviviam o bastante para que também nós passássemos algum tempo a disputar bonecas, autocolantes, “santinhos”, namorados e novas amizades. Houve zangas, momentos de inveja, discussões acaloradas, disputa de notas. Temos um percurso escolar comum até ao 9º ano. Contudo, após a separação geográfica, continuámos amigas, a telefonarmo-nos todos os fins-de-semana para combinarmos qualquer coisa juntas. O mesmo se passou aquando da nossa passagem pela universidade: separavam-nos cerca de 70 kilómetros e a vida universitária exigia sempre muito de nós. Mas nas férias e nas interrupções lectivas, lá estávamos nós a pôr a conversa em dia. Eu sei quem foi a primeira grande paixão dela; ela sabe quem foi a minha. Assistimos, acompanhámos e participamos no processo de maturação uma da outra. Casámos, tivémos filhos em quem tentamos incutir os mesmo valores de amizade e respeito, esforçamo-nos por, apesar das distâncias, permitir-lhes a convivência conjunta própria da sua idade. Nas férias lá estamos nós no café a actualizar os mexericos – nossos e dos outros -, vamos às festas de aniversário das respectivas crias. Em suma, tentamos perpetuar, enquanto comuns mortais, a tal amizade de infância. Não estamos uma para a outra no dia-a-dia; não podemos ir pedir sal a casa da outra nem ir às compras juntas, mas sabemos que o sentimento perdura; sabemos que ainda existe o à-vontade para falarmos de quase tudo e mais alguma coisa, como antigamente. Dizer caralhadas não faz o nosso estilo quando passamos tempo juntas; somos cordiais, educadas, divertidas, espontâneas; recordamos episódios passados – tal como a história do arroz de atum que eu adorava e ela detestava (continua a ser servido na cantina do “nosso” colégio, agora frequentado pela filha dela). Apesar dos caminhos distintos que seguimos, cruzamo-nos com satisfação, fazemos questão de saber como corre a vida, adoramos falar sobre os nossos.
Parece ser monótono? Para nós não é. Chama-se amizade.